segunda-feira, 10 de abril de 2017

Já se observou hoje?




Não importa se fala sozinho, com alguém ou só olhando no espelho mesmo. É bom (e bota bom nisso) parar de vez em quando para desabafar sentimentos, frustrações e tudo mais que tiver preso aí dentro da sua cabecinha neste mundo repleto de gente e informações. Já postei muitos textos aqui falando sobre minhas inquietações existenciais: quero publicar livro, ver peça encenada, ter roteiro filmado, ter uma casa só minha, viajar para outros países, dar uma melhorada em certas partes do corpo... Essa energia que toma meus pensamentos e me faz querer sair correndo às vezes diante do desespero de não saber por onde começar ou quando vou finalmente realizar tais coisas que disse.
Tenho um trabalho para ter certo dinheiro, junto dinheiro, gasto dinheiro, vejo filmes e vídeos na internet, paro pra ler o livro que escolhi, penso no que comprar para o quarto... E sou desses que busca simplificar ao máximo as coisas para sobrar tempo e não ter preocupações com questões chatas do dia-a-dia.
Hoje, aos 26, ora me sentindo um menino ingênuo de 10, ora um idoso de 90, pessimista e cansado de tudo, é como ver a adolescência e a infância ficando cada vez mais longe e a vida adulta cada vez maior. Por outro como são os momentos de só respirar, deixar a ansiedade e todas essas angústias de lado. Apenas deitar um pouco, tomar uma xícara de café (viciado confesso) ou dar aquele passeio com um dos cachorros que moram em casa com minha família naquele bairro distante do centro, meio subúrbio, meio campo. Nunca soube muito bem qual a classificação exata...
Se for ler isso, espero que mais este breve texto do meu blog traga algo para seu dia. Tudo tem seu tempo e uma causa para acontecer, por mais louco que seja tentar entender isso. Olho para minha vida hoje e vejo que todos os altos e baixos do passado foram necessários para o agora, o processo de crescimento. As peças são combinadas de uma forma enigmática, porém com grande lógica. Viva, viva, viva. Seja você e do bem! Isso aqui não é pra ser autoajuda, mas cai bem. Pra mim e pra você. Fui.

domingo, 26 de março de 2017

Depois que a Estrada Termina (trechos)


Inspirado livremente em fatos reais

Os breves trechos abaixo são de duas passagens do roteiro de um curta-metragem que escrevi há alguns anos. Minhas maiores inspirações para tal foram  a notícia de uma família criminosa de Garanhuns, Pernambuco, assim como o clássico do terror "O Massacre da Serra Elétrica' (1974). Sem mais detalhes para não estragar o segredo da história.
Já tentamos filmá-lo uma vez, mas não foi possível desenvolver à época. De qualquer forma, nunca é tarde para realizar...


TRECHO I:
A fachada da casa velha.

Uma jovem de cerca de 20 anos está correndo agoniada na propriedade. Seu rosto está próximo e ela muito ofegante. Os cabelos estão desgrenhados.
As paredes e janelas da casa estão em estado precário, descascando.
A jovem corre olhando apreensiva para trás.
A casa está em um local aparentemente vazio. O mato cresce ao redor.
A jovem vê um portão fechado. Suas mãos tentam desesperadamente abrir. Ela volta a olhar angustiada para trás. A moça consegue abrir o portão. Ela está descalça, os cabelos bagunçados e a calça jeans e a camiseta sujas. Ao correr, ela tropeça, mas logo se levanta e segue.



TRECHO II:
Quarto.
O rosto em choque de Nicole.

DONA BETH
Oi querida! Até que enfim a gente se conheceu... Então... (Breve pausa) Olha pra você... Mas que pele boa, menina. E essas roupas aí... Fazia tempo que eu não via uma pessoa tão elegante assim... (Pausa) Eu não vou mais pra cidade. (Pausa) Você não faz ideia. Já fui moça assim que nem ocê. Mas um dia acabaram com a minha paz. Abusaram... Aí eu tive que ficar por aqui mesmo... Eu resolvo tudo. Aqui dá pra viver. Na cidade, ninguém é feliz. Todo mundo só corre. É barulho o dia inteiro. O meu filho, menino de ouro, ele me ajuda demais. Tem bom gosto. Nunca falta material pra fazer empada. E cliente tem de sobra. As empadas são recheadas. O povo da roça gosta. Tem sustança. (Pausa) Vamos começar mais uma? Escolhe aí... Moça formosa ou rapaz troncudo? Eu não faço isso com todos. Só com aqueles que não têm cura. Hoje mesmo eu soltei uma menina, coitada. Ela precisava de uma chance. E ocê? O que vai querer?




sábado, 18 de fevereiro de 2017

Pense por si mesmo!




Ontem, por acaso, assisti a um extra de um velho DVD de minha coleção. E foi uma excelente surpresa poder me deliciar com o conteúdo e as memórias daquela que foi uma das maiores atrizes de Hollywood e uma das mulheres mais significativas do século 20: Katharine Hepburn (1907-2003). Filha de médico e uma ativista pelos direitos das mulheres, ela foi, desde cedo, ensinada a pensar por si própria e não se tornar uma vítima da sociedade. E foi exatamente assim que a senhora que narra o documentário seguiu durante toda sua vida, fosse no teatro, nos filmes ou na vida amorosa. Desde usar calças numa época em que pouquíssimas mulheres o faziam, decidir não ter filhos por opção própria ("já tem gente demais no mundo") e até fugir do glamour de Hollywood, incluindo não comparecer às cerimônias para receber seus quatro Oscar (até hoje um recorde). Mas, enfim, falar dessa grande mulher foi só para introduzir e me dar ideia pra escrever mais um texto neste meu espaço.
Ser uma pessoa de opiniões próprias no mundo atual poderia ser uma realidade concreta, mas infelizmente parecemos estar vivendo um retrocesso e uma triste onda de conservadorismo no Brasil e muitos países atualmente. Se uma criança nasce pura e com a mente aberta, seus pais, a religião, a escola e outros fatores externos acabam por moldá-la para qualquer coisa que represente seus interesses morais, financeiros ou o que for. Eu, obviamente, fui influenciado por esses fatores citados, mas nesta minha curta trajetória não me lembro de ter cedido a algo que não concordasse para permanecer num barco. Não faço parte de grupinhos para parecer mais forte, não "encho a cara" para me enturmar, não gosto de futebol porque a maioria dos homens gosta (ou diz que gosta) nem vou comprar a roupinha da moda para me exibir. São exemplos simples, mas só acho que servem pra reforçar a importância de não aderirmos a coisas de que não precisamos. Eu tenho consciência do que gosto e quero para minha vida. Infelizmente, a maioria simplesmente entra a roda e vemos por aí uma porção de cópias e variações de pessoas que agem da mesma forma.
Quanto à conduta individual, é uma questão de escolha e cada um pensa ou copia quem quiser, problema seu. Mas isso muda de caráter quando afeta a coletividade. O líder de uma igreja querer que todos sigam seus mesmo preceitos, o ruralista querer a todo custo destruir florestas e afetar a vida natural, o corrupto defender a anistia para os que têm estado em condutas duvidosas como ele... A cada dia que abro os principais sites de notícias é sempre uma enxurrada de negatividade. Não gosto de soar pessimista, mas é terrível ter que conviver com isso, esse ciclo de problemas que se repetem. Os que estão com o poder atualmente foram, obviamente, escolhidos por nós, mas as razões que os colocaram lá são das mais distintas. Não importa se foi o voto por uma dentadura ou propinas milionárias de empreiteiras, é tempo de mudar. Isso aqui é só meu blog pessoal, mas fico feliz de ter expressado minha opinião nos últimos seis anos e mantido meus valores. Não mudei, não cedi e não deixei de acreditar.
Apenas faça isso: pense por você mesmo, analise bem o que vai dizer e postar nas redes sociais. Por que você acredita no que acredita? Suas ideias são suas mesmo ou uma cópia de outras pessoas com quem convive? A vida passa rápido e só temos esta pra viver. Seja você mesmo e não prejudique o outro. É um tanto clichê mas é bom refletir e fazer a coisa certa, justa. E como complemente perfeito, mais um vídeo do canal POLIGONAUTAS. C'est fini.






segunda-feira, 26 de dezembro de 2016

Mais um ano vivido... que bom!





Por mais que tente fugir do assunto, é quase inevitável não fazer uma autoavaliação do ano que termina e os planos para os próximos 12 meses que vão constituir 2017. Ainda mais considerando que acabo de vir do meu 26º aniversário e do Natal. Sei que tem gente "estraga prazeres" que não gosta desse clima de festividade e otimismo, mas eu adoro (por mais que eu tenha meus momentos depressivos durante o ano).
Adoro sim ver que continuo com saúde, família, amigos, trabalho e fazendo coisas que amo, como ler ótimos livros, ver filmes variados, escrever, brincar com animais e passear (mesmo com a falta de tempo). O mundo é um lugar enorme e assustador de vez em quando, mas permite tantas experiências únicas. Cada tempo vivido não volta mais. Como isso pode ser bom e estranho ao mesmo tempo.
Tivemos, como as retrospectivas da mídia adoram mostrar, péssimas notícias este ano - muita intolerância, guerras, catástrofes, acidentes, decepções políticas em todo lugar e a morte de uma porção de grandes talentos que vão fazer muita falta. Mas também tivemos avanços, obviamente, sobretudo graças aos recursos da Internet e as tecnologias que tornam o mundo cada vez mais prático e permitindo resolver muitos problemas cada vez mais rápido.
Sigo com meus projetos e espero ter grandes avanços com eles no ano que vem, em especial um projeto literário de longa data (já deixei muitos trechos aqui em postagens anteriores), além dos que continuo desenvolvendo para teatro e cinema. Sim, sou sonhador e busco melhorar a cada dia, como ser humano, como espírito, como escritor. Não importa se vou viver 30 ou 100 anos. O quero é ter sempre a consciência tranquila de ter sido um homem digno e que viveu fazendo o que gostava.
Faça sua vida valer a pena para você e para um mundo melhor. Um Feliz 2017 e a todos que lêem este meu blog! Obrigado mais uma vez pela parceria!

sábado, 12 de novembro de 2016

Hey! Somos todos da mesma espécie!





Uma razão óbvia serviu de gota d'água para que eu resolvesse escrever mais um texto reflexivo aqui. Sim, são as eleições estadunidenses ocorridas esta semana. E o que já parecia um tanto óbvio nos últimos anos ficou ainda mais evidente agora: a crescente e infeliz onda de ódio virtual e uma espécie de divisão entre as criaturas humanas deste planeta. Pode chamar de esquerda e direita, brancos e outras cores, pobres e ricos, conservadores e liberais, nativos e estrangeiros, preconceituosos e mentes abertas... Há uma porção de rótulos que as pessoas tendem a colocar em si próprias e nos outros. De maneira simples poderíamos resumir como uma necessidade de defender seus interesses (e de seus grupos) e se sentir melhores que os outros.
Por mais que eu tente ficar longe dos comentários muitas vezes um tanto insensatos nos vídeos e reportagens online, volta e meia eu acabo parando neles e me decepcionado como uma mediocridade tenebrosa vinda de indivíduos que são da mesma espécie que eu e você(!). Sim, todos seres humanos, habitantes desde mesmo planeta e compartilhando este tempo atual. Como disse no início, muitas vezes isso não passa de um recurso um tanto patético de se proteger do novo, do diferente, daquilo que pode representar uma mudança a um estilo de vida outrora privilegiado. 
Foi assim com os negros até a época da escravidão (mas que ainda deixa ecos desagradáveis), os direitos das mulheres, os portadores de deficiências e doenças que dificultam a interação social, as culturas históricas, com a preservação dos recursos naturais... Enfim, questões que no passado eram ignoradas ou relegadas a um tratamento inadequado. Neste ponto, ao menos podemos constatar o quanto tantas coisas têm sido feitas ao redor do globo para garantir mais igualdade e um mundo mais digno, por mais que isso ocorra em velocidades tão distintas.
Voltando ao gancho inicial, sim, aquele cara estranho foi eleito lá naquele país e não temos como garantir de que forma o mundo vai evoluir ou regredir em sua gestão. Mas torçamos ao menos para que não piore. O planeta agradece. Somos todos moradores daqui. Temos a mesma origem. Não importa sua nacionalidade, características financeiras ou conta bancária. Eu, você e todo o resto somos todos humanos. Isso basta.

quinta-feira, 27 de outubro de 2016

Os vazios nossos de cada dia




"A Árvore da Vida" (2011), de Terrence Malick.


O que fazer quando acho que já escrevi sobre praticamente todas as questões que têm ocupado meus pensamentos nos últimos anos? Estive pensando esta semana sobre o que postar aqui neste blog: mais reflexões sobre a sociedade, algum conto novo ou deixar por aqui o rascunho de algum projeto que deixei na gaveta.
Amo escrever e isso é certamente um dos combustíveis de minha existência, seja lá quanto tempo eu vá viver nesta dimensão. Tenho lido incríveis livros e vistos vários filmes memoráveis, sem contar os que ainda estão na lista de espera para serem degustados. Brasileiros, europeus, estadunidenses, contemporâneos, clássicos. Obras de grandes artistas têm me proporcionado prazer e me inspirado a continuar treinando a escrita. Defini como minhas prioridades atuais um romance de horror iniciado lá na adolescência (reta final de revisão) e o roteiro de um drama de época (é claro que sonho que ela será filmada ou gravada num futuro próximo...).
Mas voltando a falar desses vazios que volta e meia nos atormentam e alimentam aquelas bizarras crises existenciais, tenho pensado muito no assunto sob diferentes ângulos. Pode ser o vazio da ausência de criatividade tão comum e torturante de tempos em tempos aos artistas, o vazio emocional de uma carência emocional, o vazio do inconformismo com os problemas sociais e nossa "impotente" capacidade de melhorar o mundo... Nestes meus 25 anos tenho consciência de que meu mundo interior é muito turbulento de ideias e questionamentos e como isso às vezes parece  ser um desafio num mundo tão prático e movido a dinheiro. Há espaço para pessoas sensíveis e observadoras neste planeta?
Enfim, sinto que precisava escrever um pouco neste blog e não perder a chance de soltar as ideias mais uma vez para quem quiser passar por aqui. Opiniões, sugestões e críticas são bem-vindas. Precisamos nos expressar de alguma forma. E este é meu jeito de fazer isso. Até a próxima!

domingo, 4 de setembro de 2016

O que esperar depois de 2016?



"Welcome to your life
There's no turning back
Even while we sleep
We will find you
Acting on your best behaviour
Turn your back on mother nature
Everybody wants to rule the world"
" (Tears for Fears)


Já estamos em setembro e daqui a pouco começa todo aquele ciclo de avaliação do ano, Natal, Ano Novo... E meu aniversário, dia 20 de dezembro, é claro... Mas hoje parei pra pensar sobre o que os próximos anos podem nos reservar considerando tudo que temos vivido ultimamente. Que coisas mais a humanidade pode inventar? O que será das pessoas com toda essa tecnologia disponível e mais um pouco?
Estamos tão imediatistas, narcisistas (assumindo ou não) e preocupados em aproveitar as possibilidades que o sentimento de frustração deve estar cada vez mais óbvio a nossos colegas de planeta. Falo por experiência própria. Como um ser que ama ficção, livros, filmes, curiosidade, História e uma porção de assuntos, tenho uma facilidade a me distrair e me perder no labirinto da Internet toda vez que acesso, seja no notebook, na Smart TV, no Smartphone (engraçado escrever esses nomes) ou no computador tradicioal do trabalho... E pensar que 10 anos atrás, no colégio, os livros da Biblioteca Municipal e as revistas de banca já eram um universo riquíssimo pra mim.
São todos modismos hoje em dia que fica difícil saber quanto tempo dura e qual vai ser o próximo. Pode ser se tornar mais um YouTuber pra falar de qualquer assunto e criticar tudo (de brinco a política internacional), cantar músicas com "letras" sobre muito álcool, pegação e festas sem fim, caçar Pokémon ou qualquer coisa que afaste as pessoas da realidade e tragam alguma espécie de prazer e aplausos de uma plateia virtual. Não que fugir da realidade seja algo muito ruim, afinal o mundo é louco mesmo e já constatamos que não adianta querer levar tudo a sério demais.
Só sei que continuo com minhas humildes redes sociais e este blog onde faço estas reflexões casuais. Nada demais, porém bom pra liberar meus pensamentos e compartilhá-los com quem se interesse. Opiniões são sempre bem-vindas por aqui e na página do Facebook. 
Se não curtiu, vá lá e seja mais um a participar de mais uma página de pensamento livre. A dica-clichê é: seja você mesmo e não mais uma vítima de delírio coletivo. No final, nada disso importa mesmo. Apenas o que você foi e fez ao seu redor. E um ótimo restante de 2016!
E pra fechar, com a dica habitual de vídeo, uma fala do grande Mario Sergio Cortella.