A classe operária vai ao shopping... Hã?




Que sempre vivemos em mundo de contradições não é preciso pesquisar nem recorrer a filósofos e historiadores para comprovar. Mas quando nos vemos como reflexos dessas contradições, seja por meio de sentimentos que não entendemos, voláteis, efêmeros, o que for, é aí que sentimos ainda mais como é o mundo. O inferno é aqui? Ou seria o purgatório. Dante, Dante...
É ano de eleição e já estamos sendo encharcados de águas muitas vezes das mais sujas. São acusações de todos os lados, governistas e oposicionistas que se atracam em seus discursos tantas vezes prolixos quanto puderem. E nossos problemas históricos e sociais ficam ainda mais expostos tal como veia cortada, jorrando sangue doente, claramente sabido anteriormente ou tapado com material barato.
De um lado fala-se da melhora de vida de uns, da inclusão, dos empregos... Do outro, escândalos de corrupção, obras não feitas, gastos exorbitantes desnecessários. Preciso deixar claro que não estou tomando partido de nenhum lado. Escrever esse texto é, inclusive, uma forma de eu tentar entender e chegar a alguma conclusão (se é que possível) sobre a situação atual do país. Na minha humilde condição de jornalista interiorano recém-formado, sei de minhas limitações para expor pensamentos que podem exigir interpretações muito amplas, mas sou, acima de tudo, cidadão e eleitor brasileiro. Clichê dizer isso, mas é importante não esquecermos o que são essas palavras em sua acepção.
Dos últimos meses pra cá, alguns assuntos, a meu ver, foram os mais recorrentes, além dos que já citei anteriormente anunciados e refutados pelos dois lados que pretendem ocupar o cargo mais alto da nação este ano. Protestos que chegam a irritar de tão repetitivos (apesar de nascidos de forma tão atraente em meados do ano passado), a tal preservação da família, a dona maconha, os menores infratores, os cada vez mais procurados recursos para garantir a segurança em casa – como me preocupo com essa era dos “Carandirus de luxo” –, as fontes de energia renovável em meio ao caos que a falta de água e a poluição já vêm causando (o que não é novidade, mas sabemos o quanto os interesses financeiros ainda são uma pedra no sapato da sustentabilidade)... Uma lista que exige dias e dias de elaboração.
As coisas melhoram de um lado, retrocedem cá, empacam lá... Quando nos comparamos a atrasadíssimas nações (se é que assim podem ser chamadas) da África e Ásia, onde ser mulher ou querer se expressar sua opinião e sentimentos pode ser morte certa, parecemos viver num paraíso. Seria? O paraíso das bananas, na visão caricata de estrangeiros leigos ou mesmo brasileiros chatos que se autodepreciam.

Enfim, em meio a esse imbróglio todo, só preciso dizer que, mesmo tendo um irritante pessimismo, aflorado quando ando na rua ou vejo notícias lamentáveis na televisão (se bem que esta já dá tristeza por si própria), eu acredito mesmo em um mundo melhor. E isso não é ironia nem discurso utópico. Não quero mais pensar no título daquela canção “Pare o mundo que eu quero descer” como algo que eu gostaria de fazer. Seja você aquele que está pisando no aeroporto pela primeira vez ou você que mora em uma cobertura carioca e aprecia os tiroteios noturnos dos morros como se fossem fogos pipocando no réveillon, veja que ano de mudanças é sempre bom para reavaliarmos o nosso meio e, por que não, nós mesmos.

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