Tempestade de interesses




O bem comum é sempre mostrado nas propagandas políticas no Brasil e nos regimes democráticos pelo mundo como um dos principais objetivos a serem cumpridos por aqueles que se dizem dispostos a assumirem a liderança. Agradar (ao menos ‘tentar’) a todos é uma tarefa árdua, considerando tantos desafios e necessidades muito distintas de uma população. Mas, até que ponto o intuito de um governante é realmente esse?
Tomando como referência o mundo nos últimos 100 anos, podemos perceber uma infinidade de casos em que a aparente boa vontade de aspirantes a líderes encheram de esperança povos desestruturados. Inúmeras guerras e golpes políticos afetaram e desestruturaram nações inteiras e, o que parecia um sonho de melhorias, tornou-se o caos e gerou instabilidade para quem esperava justamente o contrário.
Isso nos revela que (mesmo nem sempre pregando abertamente essas ideias) os líderes políticos na verdade se usam da máquina eleitoral (e consequentemente de sua posição conquistada) para perpetuarem a ordem e os conceitos com os quais se identificam. Esse comportamento vai afetar diretamente a coletividade, a mesma que os confiou o poder para trazer o bem comum.
Todas as atitudes individuais ou de um pequeno grupo que atingirem os interesses do governo poderão de algum modo ser rechaçadas. O medo de uma iminente insurgência popular parece ser o mesmo da chegada de uma praga, algo como uma ameaça a um estilo de vida confortável e seguro. O mundo tem visto nessas últimas décadas, mesmo nas nações mais democráticas e liberais, como uma pequena fagulha pode ser apagada com o mais violento dos sopros.
O poder do Estado muitas vezes é associado com o poder à base da força para reprimir aquilo ao qual não deixará se sujeitar. Aqueles que denunciam ações sujas do governo são reprimidos para não deixarem suas informações passarem, os drogados são mostrados como a escória que deve ser eliminada das ruas para não putrefazer a sociedade, os considerados loucos são isolados dos demais ‘normais’... Uma rede de interesses que parte de quem comanda um povo.
Tudo isso nos permite inferir que a ideia do melhor para todos é apenas o ponto de partida nos discursos políticos, mas que, depois disso, se torna como algo perdido no meio de uma tempestade em que os governantes têm o total controle sobre os rumos de uma nação. Para conquistar o que desejam e manter a ordem do qual se beneficiam, eles se usam dos métodos que estiverem à disposição e passam a agir com base em seus próprios pensamentos, atingindo qualquer um que ‘resolva’ ou tenha o infortúnio de ficar na frente.

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