O estranho prazer de escrever e uma história resendense


É engraçado esse negócio de escrever continuamente em um blog, além dos projetos mais longos (leia-se ambiciosos) para tentativas de publicação, encenação etc. Mas é inegavelmente uma bela e divertida jornada que vai desde o surgimento da primeira ideia com potencial até o último ponto final em que se nota efetivamente a transformação do pouco em algo maior, com certa lógica.
Aqui neste espaço, além de vários contos e textos de opinião já postados, já publiquei também trechos de um projeto literário em desenvolvimento (em breve mais). Desta vez, gostaria de dar uma prévia de um novo projeto, talvez um pouco mais pretensioso. Seria como o teaser de um filme em produção.
É um roteiro, narrativa passada quase que inteiramente em minha Resende, cidade fluminense localizada na divisa entre três estados e dona de uma longa história (pra quem não conhece, ela fez parte do ciclo do café no século XIX). A cena destacada mostra a conversa entre dois grandes amigos, nos seus vinte e poucos anos de idade, sentados à frente de um casarão em 1944. Que saia do papel para as telas! Acompanhe:


ALBERTO: E então, Peter? O que achou dos tipos que frequentam minha casa? Já encontrou personagens?
PETER: Não concordo com metade do que dizem, mas não posso negar que eles tenham personalidade.
ALBERTO: Personalidades hipócritas, você quer dizer? Chauvinistas... E mamãe sempre falando aquilo, da mesma forma. Não perde aquela pose.
PETER: Aquilo o quê?
ALBERTO: Coragem. Sempre discursando sobre coragem. Os fortes em cima dos fracos. Vingança. Parece que o mundo foi feito para servir os donos do poder. E aquele patriotismo besta? Mandam um miserável pra guerra e quando o corpo dele é explodido, o governo informa pra família que ele deu a vida pelo país. No lugar do filho fica uma medalha fria pendurada na parede.
PETER: Você sabe que compartilho da mesma opinião, mas, Alberto, você mesmo havia comentado uma vez que queria se inscrever.
ALBERTO: Foi coisa de momento, Peter. Você me conhece muito bem. Hoje eu não iria mais. Pra quê? Só pra impressionar mamãe? Esse é o drama de filho único. Não ter com quem dividir s expectativas de Lady MacBeth. Não quero posar de homem corajoso, orgulho da família... Isso não é garantia de nada.

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