Seu reflexo já foi visto?



"É como se a gente precisasse de provas de que a gente existe. Se eu não sou a prova pra mim mesmo de que eu existo, eu preciso de provas... Como se o outro sabendo, eu realmente fiz" (Teresa Pinheiro)


Existe um mundo repleto de pessoas buscando seu lugar ao Sol... E neste mesmo lugar há os padrões que se repetem e tendem a ser seguidos desde a infância, desde o estereótipo da menina cheia de enfeites e do menino tendo que gostar de futebol até o do adulto de sucesso, aquele sujeito que troca tudo a cada nova coleção. Isso me leva a crer que forja-se a criação de uma personalidade imitadora e que, por sua vez, infelizmente, reverbera para outros campos da vida. Tantas pessoas que fingem gostar de certas coisas, exibem-se junto a grupos populares em seu meio e falam de alguns assuntos só para parecer mais legal ou "cult". Uma busca incessante do sujeito pelo reconhecimento e a admiração, querendo provar para si que realmente é bom.
Hoje fala-se demais nessa geração "selfie", que posta em suas redes sociais coisas das mais variadas, seja o prato de comida, uma foto no banheiro ou todos os passos que dá fora de casa. Mas, obviamente, a tendência copiadora e exibicionista do ser humano existe há sei lá quanto tempo, ficando muito claro, imagino, a partir do século 20, graças ao alcance das massas por meio do cinema e da televisão, lançando tantas modas quanto fossem possíveis por meio de penteados, sapatos, bordões, hábitos, bebidas e tudo que pudesse dar lucro.
A minha geração entrou nessa de redes sociais há 10 anos, por meio do finado Orkut, enveredando em seguida pelo Facebook . E vieram uma porção de aplicativos de fotos, paqueras, escapismos... Hoje podemos transformar qualquer imagem tirada por acaso em uma postagem cheia de "hashtags", legendas bizarras e interpretações um tanto diferentes das intenções originais. E pensar que até o começo dos anos 2000 ainda íamos a uma loja comprar o filme (12, 24 ou 36 poses...), tínhamos que escolher os melhores ângulos para a hora do flash e torcer para que nenhuma foto queimasse. Agora, nada disso! Tire 100 selfies em seu quarto, faça uma triagem, veja as cinco melhores e aí sim use uma para para cada uma de suas redes sociais. Depois é só esperar as curtidas e receber aqueles elogios de "lindo" e você, todo orgulhoso, finge-se de humilde e diz "Que nada, são seus olhos".
Já defendi aqui numa postagem recente que acho melhor termos excesso de informação do que falta, mas o bom senso e um pouco de autocrítica fazem bem na hora de escolher o que escrever e compartilhar. Muitos têm voz, mas o silêncio às vezes tem mais valor a longo prazo.
A frase com a qual abri o texto está na palestra abaixo, "Narcisismo e depressão", proferida pela psicanalista Teresa Pinheiro, que fala de forma brilhante sobre o tema. O programa "Café Filosófico" é exibido pela TV Cultura nas noites de domingo e, para nossa alegria, vários de seus vídeos estão disponíveis na internet.




Comentários