"O Silêncio", uma história sobre medo, passado e presente, escolhas e consequências



Com o processo em andamento, mais uma passagem enigmática da história ocorrida alguns anos atrás na Rua George Windsor, em Nova York. Nada é o que parece, ainda mais na rua em que "nada acontecia".

"Horas depois, mais precisamente por volta das 11, era uma noite abafada, mas úmida, um sereno insistente que deixava o asfalto brilhoso e os arbustos dos jardins com as folhas mais verdes e nítidas. Não conseguindo dormir, a Sra. Davis desceu à cozinha para preparar um chá de camomila. Sentou-se ao lado da mesa, abanando-se com a primeira revista que encontrou. As cortinas de toda a casa cobriam completamente as janelas, de modo a evitar a visão assustadora de um sujeito invasor. Nunca passara por qualquer situação do gênero em sua vida, mas os filmes de mistério que adorava faziam com que não deixasse nada exposto a olhares externos, sobretudo na situação de uma idosa solitária.
Anne já subia a escada quando o som de um carro estacionando chamou sua atenção. Apressou os passos para espiar na janela de seu quarto. Discretamente posicionada no escuro, com parte da janela aberta, a senhora observou o veículo, um carro comprido, um modelo antigo que ela não podia reconhecer, parado com as luzes desligadas em frente à casa dos Hellyors. Um homem alto e troncudo, calça comprida e casaco escuro, saltou do lado do carona e caminhou a passos rápidos em direção ao fundo da casa."

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